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Thaís Mérici — Alimentação na gestação e na amamentação: o que a ciência diz (inclusive sobre o café) — 02/10/2026

Alimentação na gestação e na amamentação: o que a ciência diz (inclusive sobre o café)

Por Thaís de Mérici Domingues e Paula · Nutrição Esportiva · 02 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Da tentativa de engravidar até a introdução alimentar do bebê, a alimentação ganha um papel especial. É uma fase cheia de dúvidas — o que pode, o que não pode, quanto comer, se o cafezinho está liberado — e, muitas vezes, cheia de informações contraditórias. A boa notícia é que a nutrição materno-infantil é uma das áreas mais estudadas da nutrição, e existe muita evidência para orientar escolhas seguras, sem terrorismo e sem proibições desnecessárias.

Neste artigo, explico como a alimentação pode apoiar cada etapa — fertilidade, gestação, lactação e introdução alimentar — e por que um acompanhamento individualizado faz diferença nesse período.

Antes da gestação: alimentação e fertilidade

A preparação para a gestação começa antes do teste positivo. O estado nutricional do casal influencia a saúde reprodutiva, e alguns cuidados ganham importância nessa fase: manter um peso saudável, garantir a ingestão adequada de nutrientes como o ácido fólico (cuja suplementação costuma ser recomendada antes da concepção, sempre com orientação profissional), cuidar da qualidade geral da alimentação e controlar condições como resistência à insulina.

Mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP), por exemplo, podem se beneficiar bastante de uma estratégia nutricional bem conduzida, já que a alimentação influencia o metabolismo da glicose e o equilíbrio hormonal.

Durante a gestação: comer bem, não comer por dois

A ideia de "comer por dois" é um dos mitos mais persistentes. A necessidade de energia aumenta durante a gestação, mas de forma moderada e principalmente a partir do segundo trimestre. O foco deve estar na qualidade da alimentação, e não na quantidade.

Nutrientes que merecem atenção

  • Ferro: a necessidade aumenta para sustentar o aumento do volume sanguíneo e o desenvolvimento do bebê.
  • Cálcio e vitamina D: importantes para a formação óssea do bebê e a saúde óssea da mãe.
  • Ômega-3: participa do desenvolvimento do cérebro e da visão do bebê.
  • Proteínas: essenciais para o crescimento dos tecidos.
  • Fibras e água: ajudam a prevenir a constipação, comum na gestação.

Ganho de peso e diabetes gestacional

O ganho de peso adequado depende do estado nutricional antes da gestação. Um ganho excessivo está associado a maior risco de complicações, como o diabetes gestacional — condição em que a alimentação tem papel central no tratamento. Com orientação adequada, é possível controlar a glicemia mantendo uma alimentação prazerosa e variada.

E a cafeína?

Essa é uma das perguntas mais frequentes no consultório — e um tema que estudei de perto na minha pesquisa de pós-graduação na UFMG. A cafeína atravessa a placenta, e o organismo do bebê tem pouca capacidade de metabolizá-la. Por isso, as diretrizes internacionais recomendam limitar o consumo diário durante a gestação, em geral a até cerca de 200 mg por dia. Vale lembrar que a cafeína não está só no café: chás como o mate e o preto, refrigerantes à base de cola, energéticos, chocolate e alguns medicamentos também contêm a substância. Não se trata de proibir, e sim de conhecer as fontes e ajustar a quantidade.

Lactação: nutrição para quem amamenta

A amamentação aumenta a necessidade de energia e de alguns nutrientes. É uma fase em que muitas mulheres querem recuperar o peso anterior à gestação, mas dietas muito restritivas podem prejudicar a disposição, a saúde da mãe e a rotina de amamentação. Hidratação, refeições práticas e uma alimentação variada ajudam a atravessar esse período com mais energia. O emagrecimento pós-parto pode e deve acontecer, mas de forma gradual e com orientação.

Introdução alimentar: os primeiros alimentos do bebê

A introdução alimentar é um marco no desenvolvimento da criança e costuma começar por volta dos seis meses, com orientação do pediatra. É uma fase de descobertas — sabores, texturas, cores — e também de muitas dúvidas dos pais: por onde começar, quais alimentos oferecer, como lidar com a recusa, quando oferecer água, como montar o prato.

Alguns princípios gerais ajudam: priorizar alimentos in natura e minimamente processados, evitar açúcar e ultraprocessados nos primeiros anos, oferecer variedade e respeitar os sinais de fome e saciedade do bebê. Os hábitos construídos nessa fase tendem a influenciar a relação da criança com a comida por toda a vida.

Por que um acompanhamento individualizado

Cada gestação é única. Condições prévias de saúde, restrições alimentares, enjoos, rotina de trabalho, gestações múltiplas, prática de atividade física e preferências pessoais mudam completamente a estratégia. Um acompanhamento nutricional permite ajustar o plano a cada fase, monitorar o ganho de peso, prevenir deficiências e tirar dúvidas com segurança — sempre em conjunto com o obstetra e o pediatra.

Sem neuras e sem proibições

A gestação e o puerpério já trazem mudanças suficientes. A alimentação não precisa ser mais uma fonte de ansiedade. A proposta é uma nutrição possível, personalizada e acessível: informação de qualidade, escolhas conscientes e flexibilidade para viver essa fase com mais tranquilidade.

Sobre mim

Sou nutricionista formada pela UFMG, mestre e doutora pela UFMG, com pesquisa em gestação e consumo de cafeína, e professora do curso de Nutrição da UFMG. Atendo em consultório desde 2011, com ênfase em nutrição materno-infantil, esportiva e transtornos alimentares, incluindo fertilidade do casal, gestação, lactação e introdução alimentar para crianças até os 2 anos.

Perguntas frequentes

Preciso fazer dieta na gestação?

Não no sentido de restrição. O objetivo é uma alimentação de qualidade que atenda às necessidades da mãe e do bebê, com ganho de peso adequado.

Posso tomar café grávida?

Em geral, sim, com moderação. As diretrizes recomendam limitar a quantidade diária de cafeína, e o ideal é avaliar o seu consumo total, considerando todas as fontes.

Quando começar a introdução alimentar?

Em geral, por volta dos seis meses, de acordo com a orientação do pediatra e os sinais de prontidão do bebê.

O acompanhamento pode ser online?

Sim. O atendimento online permite acompanhar cada fase com praticidade, o que é especialmente útil na gestação e no pós-parto.

Agende sua consulta

Se você está planejando uma gestação, está grávida, amamentando ou começando a introdução alimentar do seu bebê, entre em contato pelos telefones e locais de atendimento informados no meu perfil aqui na Hiraki. As consultas são apenas particulares.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui o acompanhamento individual com nutricionista, obstetra e pediatra.

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