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Kristhian Macsuel Schneider — Avaliação Pré-Operatória do Idoso: Por Que Importa — 27/08/2026

Avaliação Pré-Operatória do Idoso: Por Que Importa

Por Kristhian Macsuel Schneider · Cirurgia Geral · 27 de agosto de 2026

Cirurgia no Idoso Pede um Olhar Diferente

Operar uma pessoa de 70, 80 anos não é igual a operar uma pessoa de 30. O corpo responde de um jeito diferente ao estresse de uma cirurgia, e é comum existirem outras condições de saúde ao mesmo tempo — pressão alta, diabetes, problemas de coração, uso de vários remédios. Por isso, antes de qualquer cirurgia, mesmo as mais simples, o idoso se beneficia de uma avaliação pré-operatória mais completa.

Segundo artigo publicado nos Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (ABCD), da Universidade Federal de São Paulo, essa avaliação deve olhar com cuidado para vários pontos ao mesmo tempo, não só para a doença que vai ser operada.

O Que Essa Avaliação Analisa

Coração: histórico de infarto, angina, insuficiência cardíaca ou arritmia, e uso de remédios como betabloqueadores. Pulmão: doenças respiratórias antigas, histórico de fumo, capacidade de respirar fundo e tossir depois da cirurgia. Rins e equilíbrio do corpo: como os rins estão filtrando, e se o sódio e o potássio no sangue estão em ordem. Nutrição: se a pessoa está bem nutrida, já que a desnutrição antes da cirurgia atrapalha a cicatrização e a recuperação. Memória e atenção: o risco de confusão mental depois da cirurgia, conhecida como delirium, é maior no idoso e precisa ser previsto. Remédios em uso: muitos idosos tomam vários remédios ao mesmo tempo (polifarmácia), e alguns precisam de ajuste antes de operar.

Para organizar essa análise, cirurgiões costumam usar índices de risco, como o índice de Goldman e a classificação ASA, que ajudam a estimar o risco da cirurgia para aquele paciente específico — e não para o idoso em geral.

Grupos de geriatria de referência no Brasil, como o Programa de Avaliação Perioperatória do Idoso (PROAPI) da Faculdade de Medicina da USP, e a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, reforçam ainda outros dois pontos: a fragilidade do paciente (não só a idade no papel) e a presença de várias doenças ao mesmo tempo são tão importantes quanto o exame do órgão que vai ser operado.

E Depois da Cirurgia?

O cuidado não termina na sala de cirurgia. No pós-operatório do idoso, alguns cuidados fazem diferença real na recuperação: levantar da cama e caminhar cedo, assim que for liberado, ajuda a evitar trombose e complicações respiratórias; manter a alimentação e a hidratação em dia acelera a cicatrização; ficar atento a sinais de confusão mental nos primeiros dias ajuda a identificar o delirium cedo, quando é mais fácil de tratar; e retornar às consultas de acompanhamento, mesmo se sentindo bem, é o que permite perceber cedo qualquer intercorrência.

Isso vale especialmente para cirurgias do aparelho digestivo — vesícula, hérnias, intestino — que são as mais frequentes na prática de um cirurgião geral e pedem atenção redobrada nesse período de pré e pós-operatório.

Se você ou um familiar idoso está diante de uma indicação cirúrgica, vale conversar com um cirurgião geral que dê atenção a essa etapa da avaliação. Consultas e teleconsultas estão disponíveis para tirar dúvidas antes de decidir.

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