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Claudia Junqueira Domingos — Tontura e desequilíbrio no idoso: quando ver neurologista — 27/08/2026

Tontura e desequilíbrio no idoso: quando ver neurologista

Por Claudia Junqueira Domingos · Neurologia / Neurofisiologia Clínica · 27 de agosto de 2026

Tontura é uma das queixas mais comuns entre pessoas com mais de 60 anos. Muita gente acha que é "coisa da idade" e não procura ajuda. Mas nem toda tontura é igual, e algumas merecem atenção de um neurologista. Este texto explica, de forma simples, as diferenças e quando vale a pena buscar uma avaliação.

Tontura não é uma doença, é um sintoma

O Ministério da Saúde já chamou atenção para esse tema em campanhas voltadas à terceira idade, lembrando que a tontura é coisa séria quando afeta o equilíbrio de forma recorrente. A tontura pode ter causas bem diferentes: problemas no ouvido interno (labirinto), quedas de pressão arterial, efeito de remédios, problemas cardíacos, ansiedade e também causas neurológicas, como alterações na circulação do cérebro. Por isso, entender o tipo de tontura ajuda o médico a chegar ao diagnóstico certo.

A causa mais comum: a vertigem posicional benigna

Segundo artigos científicos publicados na área de otoneurologia, uma das causas mais frequentes de tontura no idoso é a chamada vertigem posicional paroxística benigna, ou VPPB. Ela acontece quando pequenos cristais do ouvido interno se deslocam do lugar. A pessoa sente uma tontura giratória forte, geralmente de curta duração, que piora ao virar a cabeça na cama, ao levantar ou ao olhar para cima. Apesar do nome complicado, essa causa costuma ter diagnóstico e tratamento relativamente simples, com manobras específicas feitas em consultório.

Quando a tontura pode ser neurológica

Já outros tipos de tontura merecem uma investigação neurológica mais cuidadosa. É importante buscar avaliação quando a tontura vem acompanhada de: dificuldade para falar ou fala enrolada; fraqueza ou formigamento de um lado do corpo; visão dupla ou perda de parte da visão; dor de cabeça muito forte e súbita; perda de equilíbrio para caminhar, com quedas frequentes; confusão mental associada.

Esses sinais, quando aparecem junto com a tontura, podem indicar um problema na circulação do cérebro ou em outras áreas do sistema nervoso, e precisam de avaliação médica com urgência. Se algum desses sinais aparecer de forma súbita, o caminho não é esperar a consulta de rotina: é procurar atendimento de emergência imediatamente.

Por que a avaliação multidisciplinar importa

A tontura no idoso costuma ter mais de uma causa ao mesmo tempo. Por isso, artigos da área de geriatria e otoneurologia recomendam uma avaliação que pode envolver o neurologista, o otorrinolaringologista, o cardiologista e, em alguns casos, o fisioterapeuta especializado em equilíbrio. O papel do neurologista é avaliar se existe uma causa relacionada ao sistema nervoso central, à circulação cerebral ou a outras condições neurológicas, e orientar o paciente e a família sobre os próximos passos.

O impacto da tontura na vida do idoso

Além do desconforto, a tontura aumenta o risco de quedas, uma das principais causas de fraturas e perda de independência na terceira idade. Por isso, mesmo quando o sintoma parece leve, ele não deve ser ignorado.

Quando procurar um neurologista em Belo Horizonte

Se a tontura é frequente, atrapalha as atividades do dia a dia, causou alguma queda, ou vem acompanhada de outros sintomas neurológicos, vale a pena marcar uma consulta ambulatorial com um neurologista. Uma boa avaliação clínica, muitas vezes complementada por exames simples, é o primeiro passo para entender o que está causando a tontura e cuidar melhor da saúde na terceira idade.

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