Hiraki
Bernardo Santos Resende — Marca-passo: o que é e quando é indicado — 27/08/2026

Marca-passo: o que é e quando é indicado

Por Bernardo Santos Resende · Cardiologia / Arritmologia Clínica · 27 de agosto de 2026

Um medo comum, uma dúvida frequente

Ouvir que pode precisar de um marca-passo assusta muita gente, principalmente idosos. Esse texto explica, de forma simples, o que é esse aparelho, por que ele existe e em quais situações ele costuma ser indicado.

O que é um marca-passo

O coração tem um "sistema elétrico" próprio, que manda o sinal para ele bater no ritmo certo. Com o passar dos anos, esse sistema pode enfraquecer. O coração passa a bater devagar demais, ou de forma irregular, e isso atrapalha o corpo a receber sangue e oxigênio suficiente.

O marca-passo é um aparelho pequeno, implantado por cirurgia simples, geralmente logo abaixo da pele perto do ombro. Ele tem fios finos que chegam até o coração e "sentem" o ritmo dele. Quando o coração bate devagar demais, o marca-passo manda um sinal elétrico discreto para ajudar o coração a manter o ritmo adequado.

Quando ele costuma ser indicado

De acordo com a Diretriz Brasileira de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis, da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, o marca-passo costuma ser indicado quando o coração bate devagar demais (bradicardia) e isso causa sintomas como tontura frequente, cansaço fora do normal, sensação de "apagão" ou quase desmaio, e desmaio (síncope).

A diretriz também destaca situações especiais em pacientes idosos e frágeis, nos quais o marca-passo pode ser considerado mesmo diante de sintomas como desmaio sem causa totalmente esclarecida, quando a avaliação especializada aponta esse benefício.

É importante deixar claro: nem toda bradicardia precisa de marca-passo. A decisão depende de vários fatores, como se existem sintomas, a causa da bradicardia, uso de remédios que podem estar deixando o coração mais lento, e a saúde geral da pessoa. Por isso, essa avaliação deve ser individual, feita por um especialista.

Marca-passo, CDI e ressincronizador não são a mesma coisa

Vale explicar uma confusão comum. O marca-passo tradicional corrige o coração que bate devagar. Já o cardiodesfibrilador implantável (CDI) protege contra arritmias rápidas e perigosas. O ressincronizador ajuda o coração que não bate de forma coordenada entre os dois lados, geralmente em quem já tem insuficiência cardíaca. São três aparelhos parecidos por fora, mas com funções diferentes, e cada um tem sua própria indicação.

Por que procurar um arritmologista para essa avaliação

A avaliação de quem precisa ou não de um dispositivo cardíaco é feita pelo cardiologista arritmologista, especialista dedicado ao sistema elétrico do coração. Ele analisa os exames, entende os sintomas relatados e explica com clareza qual é a melhor conduta para cada caso, sempre baseada nas diretrizes médicas mais atuais.

Quando buscar avaliação

Se você ou um familiar idoso sente tontura frequente, cansaço fora do comum, ou já teve algum episódio de desmaio, vale conversar com um médico. Uma avaliação especializada esclarece se existe uma arritmia por trás desses sintomas e qual é o cuidado mais adequado.

Fonte científica: Diretriz Brasileira de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis (DCEI) – 2023, Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC) e Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Precisa de uma avaliação?
Agende com Bernardo Santos Resende.
Ver horários
← Ver perfil de Bernardo Santos Resende