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Alice de Souza Ramos — Ronco em criança e respiração pela boca: sinais de alerta e tratamento — 02/10/2026

Ronco em criança e respiração pela boca: sinais de alerta e tratamento

Por Alice de Souza Ramos · Motricidade Orofacial · 02 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Muitos pais acham bonitinho quando a criança ronca — "dorme igual ao avô". Mas ronco em criança não é normal e merece atenção. Ronco infantil pode ser sinal de respiração oral e de apneia obstrutiva do sono, condições que também são tratadas na fonoaudiologia, em conjunto com o pediatra e o otorrinolaringologista.

Neste artigo, explico por que a respiração pela boca preocupa, quais sinais observar no dia a dia e como a fonoaudiologia pode ajudar a criança a voltar a respirar pelo nariz.

Por que a respiração pelo nariz é tão importante

O nariz é a via natural da respiração. Ele filtra, aquece e umidifica o ar antes que ele chegue aos pulmões. Quando a criança passa a respirar pela boca de forma habitual — acordada ou dormindo —, esse filtro natural é perdido e uma série de adaptações começa a acontecer no corpo.

Na infância, isso é ainda mais relevante, porque o rosto, a arcada dentária e a musculatura orofacial estão em pleno crescimento. A forma como a criança respira, mastiga e engole influencia esse desenvolvimento.

Sinais de que a criança pode ser respiradora oral

  • dorme de boca aberta e ronca;
  • baba no travesseiro;
  • fica com os lábios entreabertos durante o dia, mesmo parada;
  • acorda cansada, irritada ou com dor de cabeça;
  • tem sono agitado, muda muito de posição, acorda várias vezes;
  • apresenta sonolência ou, ao contrário, agitação e dificuldade de atenção durante o dia;
  • mastiga de boca aberta, come devagar ou prefere alimentos macios;
  • tem lábios ressecados e olheiras frequentes.

Nenhum desses sinais, sozinho, fecha um diagnóstico, mas a presença de vários deles é motivo para conversar com o pediatra.

Ronco e apneia na infância

Na criança, o ronco pode estar associado a aumento de adenoide e amígdalas, rinite alérgica, obstrução nasal e alterações da musculatura orofacial. Em alguns casos, evolui para a apneia obstrutiva do sono, com pausas respiratórias durante a noite. O sono de má qualidade pode impactar o humor, o comportamento, a atenção e o rendimento escolar — por isso, muitas vezes, o que parece "falta de atenção" na escola tem relação com noites mal dormidas.

O diagnóstico da apneia é médico. O pediatra e o otorrinolaringologista avaliam as causas e indicam o tratamento — que pode incluir medicação, cirurgia de adenoide e amígdalas, acompanhamento ortodôntico e terapia fonoaudiológica.

Como a fonoaudiologia ajuda

Mesmo depois que a causa da obstrução é tratada, muitas crianças mantêm o hábito de respirar pela boca, porque a musculatura se adaptou a esse padrão. É aqui que a fonoaudiologia faz diferença.

Respiradores orais costumam precisar de alongamento e fortalecimento da musculatura periorbicular — a musculatura ao redor dos lábios —, o que favorece o vedamento labial e a respiração nasal. A terapia miofuncional orofacial também trabalha a postura da língua, a mastigação e a deglutição, funções que costumam estar alteradas em quem respira pela boca.

Os exercícios são adaptados à idade da criança — muitas vezes em forma de brincadeira — e a família recebe orientações para dar continuidade em casa, o que é fundamental para o resultado.

O trabalho em equipe

O cuidado com a criança respiradora oral funciona melhor quando é feito em equipe. O pediatra acompanha a saúde geral; o otorrinolaringologista investiga e trata as causas de obstrução; o ortodontista avalia o crescimento facial e a arcada; e a fonoaudióloga reabilita a musculatura e as funções orofaciais. Cada profissional contribui com uma parte do cuidado.

Respiração, fala e aprendizagem

A musculatura orofacial também participa da fala. Alterações na postura da língua e dos lábios podem influenciar a articulação de alguns sons. E um sono de má qualidade pode afetar a atenção e a memória, habilidades importantes para a alfabetização. Por isso, na avaliação, olho para a criança como um todo: respiração, sono, mastigação, fala e, quando for o caso, leitura e escrita.

Como funciona a avaliação

  1. Conversa com a família: histórico de saúde, sono, alimentação, rotina e desenvolvimento da fala.
  2. Avaliação da criança: modo respiratório, postura dos lábios e da língua, tônus da musculatura, mastigação, deglutição e fala.
  3. Plano terapêutico: exercícios adaptados à idade, orientações para casa e, quando necessário, indicação de avaliação com outros profissionais.

O que os pais podem observar e fazer no dia a dia

Enquanto a avaliação não acontece, algumas atitudes ajudam a entender melhor o quadro e a apoiar a criança:

  • Observe o sono: grave um vídeo curto da criança dormindo, com som. Ronco, pausas na respiração e boca aberta ficam mais fáceis de mostrar aos profissionais.
  • Repare na boca durante o dia: anote se a criança fica com os lábios entreabertos assistindo TV, brincando ou lendo.
  • Cuide da higiene nasal: a lavagem nasal com soro fisiológico, quando orientada pelo pediatra, ajuda a manter o nariz livre, principalmente em crianças com rinite.
  • Ofereça alimentos que exigem mastigação: frutas inteiras, legumes e carnes ajudam a exercitar a musculatura da boca, ao contrário de uma alimentação só de alimentos pastosos.
  • Converse com a escola: sonolência, cansaço e dificuldade de atenção na sala de aula são informações valiosas para a avaliação.

Essas observações não substituem a avaliação, mas tornam a consulta mais rica e ajudam a definir o melhor caminho para cada criança.

Sobre mim

Sou fonoaudióloga (CREFONO MG 6451), mestra em Ciências Fonoaudiológicas pela Faculdade de Medicina da UFMG e certificada em Fonoaudiologia do Sono pela ABS – Academia Brasileira de Sono. Atuo principalmente em ronco e apneia e em linguagem oral e escrita, atendendo crianças e adultos.

Perguntas frequentes

Ronco em criança é normal?

Não. Roncos ocasionais, durante um resfriado, podem acontecer, mas o ronco frequente merece avaliação.

Se a criança operar a adenoide, ainda precisa de fono?

Muitas vezes, sim. Mesmo com a passagem de ar liberada, a criança pode manter o hábito de respirar pela boca, e a terapia ajuda a reeducar a musculatura.

A partir de que idade a criança pode fazer terapia?

Os exercícios são adaptados à idade. A avaliação indica o melhor momento e a melhor forma de conduzir o tratamento.

Onde é o atendimento?

Presencialmente no Prado, em Belo Horizonte, e também online, conforme o caso.

Agende uma avaliação

Se o seu filho ronca, dorme de boca aberta ou respira pela boca durante o dia, o primeiro passo é uma avaliação. Entre em contato pelo WhatsApp informado no meu perfil aqui na Hiraki. Atendimento particular, sem convênio.

Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. O diagnóstico de apneia do sono é médico.

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