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Alice de Souza Ramos — Ronco e apneia do sono: como a fonoaudiologia pode ajudar — 02/10/2026

Ronco e apneia do sono: como a fonoaudiologia pode ajudar

Por Alice de Souza Ramos · Motricidade Orofacial · 02 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

O ronco costuma virar piada em família, mas para muita gente ele é motivo de noites mal dormidas — de quem ronca e de quem divide o quarto. E, em alguns casos, o ronco é sinal de algo mais sério: a apneia obstrutiva do sono. O que pouca gente sabe é que a fonoaudiologia é uma das opções de tratamento, trabalhando com os músculos da boca, da face e da garganta.

Neste artigo, explico por que o ronco acontece, quando ele merece atenção, como a fonoaudiologia do sono pode ajudar e como funciona o tratamento — sempre lembrando que o diagnóstico de apneia do sono é médico, feito com exame do sono.

Por que a gente ronca

Durante o sono, a musculatura do corpo relaxa — inclusive a da garganta, da língua e do palato mole (o "céu da boca" mais ao fundo). Quando esse relaxamento estreita a passagem do ar, o fluxo fica turbulento e faz os tecidos vibrarem. Essa vibração é o ronco.

Vários fatores contribuem para esse estreitamento: tônus muscular reduzido, posição da língua, alterações anatômicas, obstrução nasal, ganho de peso, consumo de álcool à noite, uso de alguns medicamentos e dormir de barriga para cima. Por isso, duas pessoas que roncam podem ter causas bem diferentes.

Ronco e apneia: qual a diferença

No ronco simples, o ar passa com dificuldade, mas continua passando. Na apneia obstrutiva do sono, a via aérea chega a se fechar parcial ou totalmente por alguns segundos, várias vezes durante a noite. O cérebro percebe a queda de oxigênio e provoca microdespertares para que a respiração volte — muitas vezes sem que a pessoa se lembre.

Alguns sinais que merecem investigação:

  • pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado;
  • engasgos ou "roncos com sufocamento" durante a noite;
  • sonolência excessiva durante o dia, cochilos involuntários;
  • acordar cansado mesmo depois de muitas horas na cama;
  • dor de cabeça pela manhã, boca seca ao acordar;
  • dificuldade de concentração, irritabilidade e alterações de humor.

Se você se identificou, o primeiro passo é procurar um médico, que pode solicitar o exame do sono (polissonografia) e confirmar ou descartar a apneia.

Onde entra a fonoaudiologia

Na fonoaudiologia do sono, o trabalho é com os músculos e as funções da boca, da face e da garganta. O tratamento fonoaudiológico para ronco e apneia contribui para aumentar a patência da via aérea — ou seja, manter a passagem de ar livre e desobstruída durante o sono.

Isso é feito por meio da terapia miofuncional orofacial: um conjunto de exercícios para língua, lábios, bochechas, palato mole e musculatura da garganta, além do treino de funções como respiração, mastigação e deglutição. O objetivo é melhorar o tônus e a coordenação desses músculos, para que a via aérea colapse menos durante a noite.

Sozinha ou junto com outros tratamentos

A terapia fonoaudiológica pode ser indicada sozinha ou em conjunto com outros tratamentos, como o CPAP (aparelho de pressão positiva) ou o aparelho de avanço mandibular. Em muitos casos, ela também ajuda na adaptação a esses tratamentos e na manutenção dos resultados. A decisão sobre o melhor caminho é sempre individual e, idealmente, conversada entre a equipe que acompanha o paciente.

Ronco na menopausa

Muitas mulheres passam a roncar — ou roncam mais — na menopausa. Isso tem explicação: há uma queda natural dos hormônios progesterona e estrogênio e, consequentemente, ocorre uma redução no tônus muscular das vias aéreas, dificultando a passagem do ar pela garganta. Exercícios para o tônus dos músculos das vias aéreas, indicados depois da avaliação, podem fazer parte do cuidado nessa fase.

Respiração nasal: o modo fisiológico

Respirar pelo nariz é o modo fisiológico de respirar: o nariz filtra, aquece e umidifica o ar. Quem respira pela boca, principalmente durante o sono, tende a roncar mais e a ter mais boca seca ao acordar. Parte do trabalho fonoaudiológico envolve treinar o vedamento dos lábios e a respiração nasal — e, quando há obstrução nasal, a avaliação médica também é importante.

Como funciona o tratamento

  1. Avaliação: o primeiro passo é uma avaliação individual da musculatura e das funções orofaciais — respiração, mastigação, deglutição, postura da língua e dos lábios —, além da conversa sobre o sono, a rotina e os exames que você já tem.
  2. Plano de exercícios: com base na avaliação, monto um programa de exercícios específico para o seu caso. Não existe uma lista única que sirva para todo mundo.
  3. Prática diária: os exercícios são feitos em casa, diariamente. A constância é parte essencial do resultado.
  4. Acompanhamento: nas sessões, os exercícios são revisados, corrigidos e progredidos, e a evolução é acompanhada ao longo do tempo.

O sono de hoje pode ser diferente do de ontem

Dormir bem é base para a saúde física, emocional e para o desempenho no trabalho e nos estudos. Se o ronco atrapalha as suas noites — ou as de quem dorme ao seu lado —, vale investigar a causa e conhecer as opções de tratamento. A fonoaudiologia é uma delas.

Sobre mim

Sou fonoaudióloga (CREFONO MG 6451), mestra em Ciências Fonoaudiológicas pela Faculdade de Medicina da UFMG e certificada em Fonoaudiologia do Sono pela ABS – Academia Brasileira de Sono. Atuo principalmente em ronco e apneia do sono e em linguagem oral e escrita, atendendo adultos e crianças.

Perguntas frequentes

A fonoaudiologia cura a apneia?

A fonoaudiologia é uma das opções de tratamento e pode reduzir o ronco e a gravidade da apneia em muitos casos. O resultado depende de cada pessoa, da causa e da constância nos exercícios. O acompanhamento médico continua essencial.

Preciso de pedido médico para começar?

O ideal é já ter passado por avaliação médica e, quando indicado, pelo exame do sono. Na avaliação fonoaudiológica, conversamos sobre os exames e os tratamentos que você já faz.

Os exercícios são difíceis?

Não. Eles são ensinados nas sessões e adaptados ao seu ritmo. O mais importante é fazer todos os dias.

Atende online?

Sim. Além do atendimento presencial no Prado, em Belo Horizonte, também atendo online.

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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. O diagnóstico de apneia do sono é médico.

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