
Ronco e apneia do sono: como a fonoaudiologia pode ajudar
O ronco costuma virar piada em família, mas para muita gente ele é motivo de noites mal dormidas — de quem ronca e de quem divide o quarto. E, em alguns casos, o ronco é sinal de algo mais sério: a apneia obstrutiva do sono. O que pouca gente sabe é que a fonoaudiologia é uma das opções de tratamento, trabalhando com os músculos da boca, da face e da garganta.
Neste artigo, explico por que o ronco acontece, quando ele merece atenção, como a fonoaudiologia do sono pode ajudar e como funciona o tratamento — sempre lembrando que o diagnóstico de apneia do sono é médico, feito com exame do sono.
Por que a gente ronca
Durante o sono, a musculatura do corpo relaxa — inclusive a da garganta, da língua e do palato mole (o "céu da boca" mais ao fundo). Quando esse relaxamento estreita a passagem do ar, o fluxo fica turbulento e faz os tecidos vibrarem. Essa vibração é o ronco.
Vários fatores contribuem para esse estreitamento: tônus muscular reduzido, posição da língua, alterações anatômicas, obstrução nasal, ganho de peso, consumo de álcool à noite, uso de alguns medicamentos e dormir de barriga para cima. Por isso, duas pessoas que roncam podem ter causas bem diferentes.
Ronco e apneia: qual a diferença
No ronco simples, o ar passa com dificuldade, mas continua passando. Na apneia obstrutiva do sono, a via aérea chega a se fechar parcial ou totalmente por alguns segundos, várias vezes durante a noite. O cérebro percebe a queda de oxigênio e provoca microdespertares para que a respiração volte — muitas vezes sem que a pessoa se lembre.
Alguns sinais que merecem investigação:
- pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado;
- engasgos ou "roncos com sufocamento" durante a noite;
- sonolência excessiva durante o dia, cochilos involuntários;
- acordar cansado mesmo depois de muitas horas na cama;
- dor de cabeça pela manhã, boca seca ao acordar;
- dificuldade de concentração, irritabilidade e alterações de humor.
Se você se identificou, o primeiro passo é procurar um médico, que pode solicitar o exame do sono (polissonografia) e confirmar ou descartar a apneia.
Onde entra a fonoaudiologia
Na fonoaudiologia do sono, o trabalho é com os músculos e as funções da boca, da face e da garganta. O tratamento fonoaudiológico para ronco e apneia contribui para aumentar a patência da via aérea — ou seja, manter a passagem de ar livre e desobstruída durante o sono.
Isso é feito por meio da terapia miofuncional orofacial: um conjunto de exercícios para língua, lábios, bochechas, palato mole e musculatura da garganta, além do treino de funções como respiração, mastigação e deglutição. O objetivo é melhorar o tônus e a coordenação desses músculos, para que a via aérea colapse menos durante a noite.
Sozinha ou junto com outros tratamentos
A terapia fonoaudiológica pode ser indicada sozinha ou em conjunto com outros tratamentos, como o CPAP (aparelho de pressão positiva) ou o aparelho de avanço mandibular. Em muitos casos, ela também ajuda na adaptação a esses tratamentos e na manutenção dos resultados. A decisão sobre o melhor caminho é sempre individual e, idealmente, conversada entre a equipe que acompanha o paciente.
Ronco na menopausa
Muitas mulheres passam a roncar — ou roncam mais — na menopausa. Isso tem explicação: há uma queda natural dos hormônios progesterona e estrogênio e, consequentemente, ocorre uma redução no tônus muscular das vias aéreas, dificultando a passagem do ar pela garganta. Exercícios para o tônus dos músculos das vias aéreas, indicados depois da avaliação, podem fazer parte do cuidado nessa fase.
Respiração nasal: o modo fisiológico
Respirar pelo nariz é o modo fisiológico de respirar: o nariz filtra, aquece e umidifica o ar. Quem respira pela boca, principalmente durante o sono, tende a roncar mais e a ter mais boca seca ao acordar. Parte do trabalho fonoaudiológico envolve treinar o vedamento dos lábios e a respiração nasal — e, quando há obstrução nasal, a avaliação médica também é importante.
Como funciona o tratamento
- Avaliação: o primeiro passo é uma avaliação individual da musculatura e das funções orofaciais — respiração, mastigação, deglutição, postura da língua e dos lábios —, além da conversa sobre o sono, a rotina e os exames que você já tem.
- Plano de exercícios: com base na avaliação, monto um programa de exercícios específico para o seu caso. Não existe uma lista única que sirva para todo mundo.
- Prática diária: os exercícios são feitos em casa, diariamente. A constância é parte essencial do resultado.
- Acompanhamento: nas sessões, os exercícios são revisados, corrigidos e progredidos, e a evolução é acompanhada ao longo do tempo.
O sono de hoje pode ser diferente do de ontem
Dormir bem é base para a saúde física, emocional e para o desempenho no trabalho e nos estudos. Se o ronco atrapalha as suas noites — ou as de quem dorme ao seu lado —, vale investigar a causa e conhecer as opções de tratamento. A fonoaudiologia é uma delas.
Sobre mim
Sou fonoaudióloga (CREFONO MG 6451), mestra em Ciências Fonoaudiológicas pela Faculdade de Medicina da UFMG e certificada em Fonoaudiologia do Sono pela ABS – Academia Brasileira de Sono. Atuo principalmente em ronco e apneia do sono e em linguagem oral e escrita, atendendo adultos e crianças.
Perguntas frequentes
A fonoaudiologia cura a apneia?
A fonoaudiologia é uma das opções de tratamento e pode reduzir o ronco e a gravidade da apneia em muitos casos. O resultado depende de cada pessoa, da causa e da constância nos exercícios. O acompanhamento médico continua essencial.
Preciso de pedido médico para começar?
O ideal é já ter passado por avaliação médica e, quando indicado, pelo exame do sono. Na avaliação fonoaudiológica, conversamos sobre os exames e os tratamentos que você já faz.
Os exercícios são difíceis?
Não. Eles são ensinados nas sessões e adaptados ao seu ritmo. O mais importante é fazer todos os dias.
Atende online?
Sim. Além do atendimento presencial no Prado, em Belo Horizonte, também atendo online.
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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. O diagnóstico de apneia do sono é médico.